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Daí, é essencial uma extraordinária delicadeza ao manusear os objectos, mas sem nos condenarmos ao campo do conhecimento mediático, mas elevando a nossa acção museológica ao campo da mediação da linguagem das coisas.

Porque o objecto é também facto social, memória. Imagem e reflexo. Pertença de um património alegórico porque não tem valor intrínseco, porque não é apenas material.

O nosso Património é um conjunto vasto de bens tangíveis e intangíveis, herdados, preservados, conservados e expostos, fazendo jus à qualidade de vida, cuja função ‘rememorativa’, como matriz de identidade, servindo de instrumento para o desenvolvimento e suporte social.

11Uma noção que assenta nas pessoas e no que uma dada geração considera dever ser deixado para o futuro. Como nos lembra Georges Duby, “não é estático. Move-se com o próprio movimento de Deus. Toda a experiência espiritual se vive como um avanço, como um progresso, que a música e a liturgia ao mesmo tempo acompanham e guiam, e que a arquitectura, a escultura, a pintura, embora por natureza imóveis, têm também por missão traduzir. Na verdade, este movimento é duplo. Por um lado, é circular. Os ritmos cósmicos, os percursos dos astros, o caminhar do dia e das estações, todos os crescimentos biológicos se ordenam em ciclos, e estes retornos periódicos devem ser interpretados como um dos sinais da eternidade.”

A vida dos objectos implica a experiência ininterrupta do tempo cósmico, permitindo os seus movimentos circulares, evitando qualquer acidente susceptível de os perturbar, a comunidade alcança desde logo a eternidade, testemunho de memórias, contextos de humanidade e de divindade.