cultura

Serviço Educativo


“A natureza, a história e Deus têm sido para o homem quer os espaços quer os limites da sua realização: horizontes da expansão do seu processo físico e temporal – metafísico (como humanidade e como indivíduo); barreiras ontológicas, éticas e gnoseológicas – limiares definidores do sentido antropológico. (...) De senhor da natureza, de protagonista da história, o homem passa a síntese de uma e a produto de outra.

O homem é, ele próprio natureza e história.” Adalberto Dias de Carvalho .

Serviço EducativoQuando Kant proclama que «o homem é a única criatura que deve ser educada, que é susceptível de educação», coloca sem quaisquer dúvidas a educabilidade no centro das atenções. Fá-lo, contudo, não tanto para acentuar as carências do ser humano que, a par de propiciarem, exigem essa educabilidade, mas para valorizar o potencial sentido antropológico do futuro que cumpre à educação realizar através do aprofundamento da liberdade de que a humanidade desfruta no espaço da sua não determinação natural. Significa isto que o homem deve progressivamente reconhecer-se como autor do seu próprio destino, demarcando-se, assim, definitivamente, das amarras de um determinismo biológico dentro do qual se desenvolvem as restantes espécies animais. Deste modo, a matriz natural do ser humano adquire a singularidade de um estatuto que a condena à sua superação.

A natureza humana tem sido assim, e inevitavelmente, um pressuposto sempre presente à consecução das teorias e práticas educativas ao longo de toda a história.

O conceito de educação aparece frequentemente associado ao conceito de desenvolvimento; contudo, o próprio desenvolvimento é um processo que nunca foi adequadamente definido, sendo vulgarmente considerado como um processo de evolução física gradual, de maturação, acompanhado de um desenvolvimento correspondente de várias faculdades mentais como o pensamento e a compreensão.

Já dizia Platão, “evitem a compulsão, e deixem que as lições dos vossos filhos tomem a forma de jogo. Isto também vos ajudará a ver quais são as suas aptidões naturais». O objectivo geral da educação é o de encorajar o desenvolvimento daquilo que é individual em cada ser humano, harmonizando simultaneamente a individualidade assim induzida com a unidade orgânica do grupo social a que o indivíduo pertence.

O Museu tornou-se numa instituição mais necessária que nunca, e num instrumento com respostas sobretudo dadas às necessidades sociais de natureza cultural, num presente que não perspectiva o futuro, uma ‘escola actual’ que se organiza à imagem da fábrica e de uma sociedade hierarquizada, prosseguindo fins pré-estabelecidos com rigor, de modo a responder cabalmente às exigências de um mundo mecanizado e da utilidade social. Acontece que, as previsões inerentes a este tempo depressa ruirão, se nos colocarmos no tempo actual em que a globalização do espaço e a enorme aceleração do tempo, ao globalizarem o conhecimento, transformam aquele num verdadeiro factor de diferenciação cultural, civilizacional e vivencial das pessoas.

O Museu só conseguirá vencer os desafios que se lhe apresentam se considerar a realidade educativa enquanto realidade social e historicamente construída, reintroduzindo na sua apreciação a flecha do tempo, ou seja, o seu carácter de irreversibilidade que faz de cada mente dependente de um público singular, relativamente ao qual deverá construir a sua pertinência.

DOCUMENTOS:

pdf A interdisciplinaridade.pdf
pdf A Premencia duma museologia atractiva.pdf
pdf Objectivos do Museu na Formação.pdf
pdf O crescimento é a Realidade.pdf
pdf O crescimento enquanto Pessoa.pdf
pdf O que e a Educação pela Museologia.pdf
pdf Públicos jovens em museus.pdf
pdf Uma museologia interdisciplinar e educativa.pdf