cultura

DE GOA 1952 a ÁGUEDA 2015

Movimento de subscrição de apoio financeiro para aquisição de obra do pintor Fausto Sampaio para o Museu da Fundação Dionísio Pinheiro e Alice Cardoso Pinheiro.

DSC_0027A Fundação Dionísio Pinheiro e Alice Cardoso Pinheiro tem, no desenvolvimento das suas atribuições e competências museológicas, acolhido obras no seu Museu com a responsabilidade de conservar, expor e divulgar património de interesse cultural; tendo como missão desenvolver e executar, entre outras, políticas culturais na valorização e divulgação de vultos da actividade artística regional; considerando de vital importância a preservação e valorização do património cultural que, pelo seu valor histórico, artístico e documental, se constitua como elemento da identidade cultural da comunidade.

Neste sentido, a Fundação estabeleceu protocolo, pelo período de três meses, com um particular para aquisição de uma obra do pintor da bairrada Fausto Sampaio, cujo percurso artístico foi de excelência.

Esta Natureza Morta de Fausto Sampaio, a óleo sobre madeira, assinada e datada de 1951, com as dimensões 450x600, esteve patente ao público e foi adquirida na Exposição da Arte e da Vida Portuguesa, Goa, em Dezembro de 1952, pelas Comemorações do IV centenário do Falecimento de S. Francisco Xavier. Com o valor de aquisição de €5.500,00.

Para este projecto, solicita o apoio de todos quantos queiram patrocinar esta aquisição com donativo para a conta sob o Santander Totta com o NIB: 0018 0033 3080 3480 0204 1, ou directamente na Fundação. O desafio é que a contribuição possa ser a partir de 1 euro e até ao montante desejado.

A obra estará em exposição temporária na Fundação a partir de 28 de Novembro de 2015 e ajude a que passe permanentemente a exposição permanente na sala de Pintura Portuguesa no Museu!

Fausto Sampaio (Anadia, 1893 – 1956), artista singular do período naturalista de transição para o modernismo. Possuidor de grande mestria técnica e de uma enorme sensibilidade, tendo sido um impressionista de grande versatilidade e um paisagista nato, com obras únicas em que a rápida pincelada e a extrema facilidade de manejar a espátula lhe permitiram captar a impressão dos momentos, instantes quase palpáveis, fazendo-os perdurar para sempre.

Discípulo de Jules Renard, e tendo frequentado as academias de Paris, brilhou pelo uso apurado da cor e pela predominância das atmosferas embaciadas ou luminosas. Com a incapacidade auditiva desde a infância (aos 22 meses de idade), exprimia-se pela pintura de forma ímpar e de excelência, impondo uma paixão tenaz do homem sobre a pintura, rejeitando a impessoalidade nas composições e transmitindo o experiencialismo sensitivo como percepção da realidade, numa abordagem cognitiva.

Fausto Sampaio expôs pela primeira vez em Lisboa no ano de 1930, tendo atingido nesta década e na seguinte o auge da sua carreira.

Esta composição com fruto (melancia) e objectos em vidro de uso diário manifesta, através de crostas subtis, passagens de tonalidades de difícil execução, de uma riqueza na policromia com um resultado de sensibilidade incrível no trabalho de espátula, de grande mestria e experiência, onde o decorativismo assume as cores portuguesas, transparência e texturas que se esbatem num reflexo imenso de luz.

Fausto Sampaio foi também o Pintor do Império, pintando todas as ex-colónias portuguesas, demonstrando que essa presença nacional era sentida e concreta nessas distantes paragens, estabelecendo um elo cultural do Portugal Continental e das Antigas Colónias numa linguagem nacionalista, socorrendo-se do Naturalismo como corrente artística que, à época, assumia o espelho da Pátria. Um diálogo Ocidente-Oriente com cores de uma Globalidade de séculos. A sua obra revela o conhecimento e admiração pelo Oriente, aderindo ao orientalismo.

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