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Prática Museológica - Pag.2

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Prática Museológica
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Em definitivo, o Museu, por excelência, é um local sem fronteiras psicossomáticas, de comunicação cultural. Parafraseando o professor Mário Moutinho, “o Museu é como um megafone que alguém utiliza para transmitir uma ideia. Consequentemente, somos levados a adquirir o direito à sua posse” (Moutinho M. , 2008).

Nesta linha de pensamento, o conceito/praxis em museologia está em constante mutação e progresso anulando o pré-conceito – vindo do século XIX – de uma ciência ‘tecno-estanque’. “Basta de uma visão míope” (Chagas M. , Museologia e Poder, 2008) da prática museológica. Temos de repensar o lugar do Museu na sociedade causando a imergente mudança de atitude de acordo com as mudanças sociais, politicas, culturais e económicas. Concluindo, esta linguagem gnoseológica que clamo para a museologia – praxis e mensagem – está intimamente ligada a uma atitude eclética, segunda a minha perspectiva do sacro, como uma forma analítica de abordar os temas, ultrapassando obstáculos que se prendem com o conservadorismo político e filosófico do século XX, dentro da própria ruptura de 1968, ano a que o professor Mário Chagas se refere, “considerado como o mergulho numa viagem ou a partida para uma odisseia ainda não acabada” (Chagas M. &., 2008) que levado à ortodoxia, condena ao esquecimento a égide humana – base, sustentação, auxilio - colocando dificuldades materializadas à inovação do pensamento contemporâneo, remetendo o progresso a um ‘vazio de culto’, comprometendo-o e extorquindo-lhe a permeabilidade justa ou inspiração, e esta sim, pode levar a Humanidade do Inferno ao Purgatório e daí ao Paraíso de Dante Alighieri ; ou a navegar com Vasco da Gama  na ‘Aventura Lusíada’ deleitando-se na ‘Ilha dos Amores’ , “Tomando aquele prémio e doce glória / Do trabalho que faz clara a memória” (Camões, 1572/2007, p. 807); ou à loucura errante de Orlando Furioso  que nos transporta a uma viagem mística e natural – Europa, África – num século VIII, no qual Carlos Magno  dá início à restauração do antigo Império Romano do Ocidente, “Astolfo visita o Inferno por um capricho de momento, e depois o Paraíso. Aqui encontra São João Evangelista , que o trata de igual para igual e que o acompanha até à Lua.

 (…) Entre uma imensa parafernália de coisas perdidas pelos homens ao longo dos séculos, Astolfo encontra a ampola que contém o siso do paladino; e, de passagem, cai-lhe sob o olhar uma ampola com o seu nome, que contém uma parte do seu juízo que ele nunca se apercebera de ter perdido, mas que se apressa a inspirar.” (Ariosto, 1532/2007, p. 22)

Tal como nestas epopeias, também os museus podem narrar e mesmo realizar estas viagens fantásticas, introduzindo novas teorias e práticas na museologia do século XXI e adoptando novos objectos museais ou reinventando-os. “Esse misto de luzes e de sombras, / Do céu, da terra, de quanto há formoso / E horrendo e grande, cujas musas foram / Ódio, vingança, amor, ciência, glória?” (Coelho, José Ramos, 1910).

Esta reflexão objectiva a atracção de novos públicos, alargando os objectivos museais no âmbito do receptor da mensagem do Museu, mantendo o museólogo aberto a múltiplos conceitos que ampliem e potenciem os serviços culturais, sociais e pedagógicos dos museus, granjeando, assim, a sociabilidade que deve estar patente em tudo o que se encontra inserido na comunidade e inclusive ultrapassar os problemas económicos.

                                                                                                                                                                       Vieira Duque