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Nada melhor para ilustrar esta minha posição do que a epopeia de Gilgamesh, sendo o mais antigo texto literário escrito pelo homem3 , significando "o velho que rejuvenesce", rei da Suméria4  e fundador da cidade de Uruk5 , ano de 2700 a.C. Sendo 2/3 divino e 1/3 humano, filho da deusa Ninsun6  e do sacerdote Lugalbanda7 , germinou uma lenda que o tornou no protagonista da maior aventura pela imortalidade – memória - e pelo conhecimento, "Quero ao país dar a conhecer aquele que tudo viu, que conheceu os mares, que soube todas as coisas, que analisou o conjunto de todos os mistérios, Gilgamesh, o sábio universal que conheceu todas as coisas: ele viu as coisas secretas, trouxe o que estava escondido, e transmitiu-nos o saber mais antigo que o Dilúvio" (Gilgamesh, 2003-2008). “Quando os deuses criaram o homem atribuíram-lhe a Morte; mas a Vida, essa ficou para eles” (Tamen, 2000, p. 58). O que buscamos nós num cemitério de lápides e jazigos?

Gilgamesh, "Aquele que descobriu a origem", "Aquele que viu tudo", Gilgamesh confrontado com a angústia da morte, procurou Uta-Napishtim8  para conhecer o segredo da sua imortalidade por este ter sobrevivido ao dilúvio e recebido o dom da imortalidade pelos deuses. Com esse objectivo de viagem até ao conhecimento, encetou uma peregrinação pelo imaginário, por uma mesopotâmia museal, que bem poderia ter sido um dos pergaminhos semi-abertos de Kleio9 , ‘Musa Proclamadora’, levando-o por entre perigos e coragens, aventuras e receios, tal como hoje o museólogo, até encontrar aquele a quem os deuses concederam o dom da imortalidade que lhe diz ser a morte uma realidade incontornável!
Importa agora esclarecer que ao ter falado em inocência anteriormente, ela deve ser entendida como uma evolução natural, “Não há inocentes; só aqueles que ainda não nasceram ou os que já estão mortos podem aspirar à inocência” (Dagerman, Inocência). Voltamos a Gilgamesh, e entendamos o momento em que Enkidu10 , seu amigo, ao beber a sabedoria pela cortesã, é desprovido da sua inocência e rejeitado pelos animais selvagens, tendo de ir para a cidade, onde trava combate com o rei e não havendo vitorioso, passam a comungar de uma amizade heróica!